O que é pressão alta? A partir de qual nível podemos considerar ?

A hipertensão Arterial (HTA), hipertensão arterial sistêmica (HAS) conhecida popularmente como pressão alta é uma das doenças com maior prevalência no mundo moderno e é caracterizada pelo aumento da pressão arterial, tendo como causas a hereditariedade, a obesidade, o sedentarismo, o alcoolismo, o estresse, o fumo e outras causas. Pessoas da raça negra tem maior risco de serem hipertensas. A sua incidência aumenta com a idade, mas também pode ocorrer na juventude. Existe um problema para diferenciar a pressão alta da pressão considerável normal. Ocorre variabilidade entre a pressão diastólica e a pressão sistólica e é difícil determinar o que seria considerado normal e anormal neste caso. Antigamente, havia um mito de que a pressão diastólica elevada seria mais comprometedora da saúde que a sistólica. Na realidade, um aumento nas duas é fator de risco. Considera-se hipertenso o indivíduo que mantém uma pressão arterial acima de 140 por 90 mmHg ou 14×9, durante seguidos exames, de acordo com o protocolo médico. Ou seja, uma única medida de pressão não é suficiente para determinar a patologia. A situação 14×9 inspira cuidados e atenção médica pelo risco cardiovascular. Pressões arteriais elevadas provocam alterações nos vasos sanguíneos e na musculatura do coração. Pode ocorrer hipertrofia do ventrículo esquerdo, acidente vascular cerebral (AVC), infarto do miocárdio, morte súbita, insuficiências renal e cardíacas, etc. O tratamento pode ser medicamentoso e/ou associado com um estilo de vida mais saudável. De forma estratégica, pacientes com índices na faixa 85-94 mmHg (pressão diastólica) inicialmente não recebem tratamento farmacológico.

A pressão alta é comum no Brasil?

A prevalência da hipertensão arterial no Brasil foi levantada por amostras em algumas cidades. Estes estudos mostraram uma variação de 22,3% a 43,9% de indivíduos hipertensos conforme a cidade considerada. Pode estimar assim que entre uma a duas pessoas a cada cinco são hipertensas. Em 2004, 35% da população brasileira acima de 40 anos estava hipertensa. Acredita-se que 20% da população mundial apresente o problema. A proporção de óbitos por doença cardiovascular no Brasil em 2007, segundo dados do DATASUS, foi de 29,4%. Dentro deste grupo, a distribuição por doença foi como abaixo:

O que causa a pressão alta ?

A hipertensão arterial pode ou não surgir em qualquer indivíduo, em qualquer época de sua vida, mas algumas situações aumentam o risco. Dentro dos grupos de pessoas que apresentam estas situações, um maior número de indivíduos será hipertenso. Como nem todos terão hipertensão, mas o risco é maior, estas situações são chamadas de fatores de risco para hipertensão. São fatores de risco conhecidos para hipertensão:

Idade: Aumenta o risco com o aumento da idade.
Sexo: Até os cinquenta anos, mais homens que mulheres desenvolvem hipertensão. Após os cinquenta anos, mais mulheres que homens desenvolvem a doença.
Etnia: Mulheres da raça negra têm risco maior de hipertensão que mulheres caucasianas
Nível socioeconômico: Classes de menor nível sócio-econômico têm maior chance de desenvolver hipertensão.
Consumo de sal: Quanto maior o consumo de sal (sódio), maior o risco da doença.
Consumo de álcool: O consumo elevado está associado a aumento de risco. O consumo moderado e leve tem efeito controverso, não homogêneo para todas as pessoas.
Obesidade: A presença de obesidade aumenta o risco de hipertensão.
Sedentarismo: O baixo nível de atividade física aumenta o risco da doença.

Descrição

A hipertensão ocorre quando os níveis da pressão arterial encontram-se acima dos valores de referência para a população em geral. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS) os valores admitidos são:120x80mmHg, em que a pressão arterial é considerada ótima e 130x85mmHg sendo considerada limítrofe. Valores pressóricos superiores a 140x90mmHg denotam Hipertensão. Conforme a IV Diretrizes Brasileira de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia, compreende em estágios:

1 – LEVE – 140x90mmHg e 159x99mmHg
2 – MODERADA – 160x100mmHg e 179x109mmHg
3 – GRAVE – acima de 180x110mmHg.

Qualquer indivíduo pode apresentar pressão arterial acima de 140x90mmHg sem que seja considerado hipertenso. Apenas a manutenção de níveis permanentemente elevados, em múltiplas medições, em diferentes horários e posições e condições (repouso, sentado ou deitado) caracteriza a hipertensão arterial. Esta situação aumenta o risco de problemas cardiovasculares futuros, como Infarto agudo do miocárdio e Acidente Vascular do tipo Cerebral, por exemplo.

Síndrome do avental branco

- quando sua pressão só fica alta quando você entra no consultorio do médico

é a situação na qual a média da pressão arterial determinada através de Monitorização ambulatorial de pressão arterial (MAPA) ou Monitorização residencial de pressão arterial (MRPA) está normal e a medida de pressão arterial em consulta médica está elevada. Pode ocorrer ocorrer situações em que a pressão está alta apenas no consult´rio medico : é a hipertensão mascarada É o fenómeno oposto à hipertensão de bata branca e é também designada por hipertensão isolada no consultório. Inclui indivíduos que apresentam valores de pressão arterial normais no consultório e valores elevados em casa ou ambulatório. A prevalência é semelhante à hipertensão do avental branco e calcula-se que afecte 1 em 7 ou 8 indivíduos com pressão normal no consultório. Apesar de ainda pouco esclarecida os indivíduos afetados parecem apresentar maior dano de órgãos como coração, rins e fundo de olho.

Como medir a minha pressão?

Um esfigmomanômetro e um estetoscópio são os equipamentos utilizados para aferir a pressão arterial. A medida da pressão arterial deve ser realizada apenas com aparelhos confiáveis. Para medi-la, o profissional envolve um dos braços do paciente com o esfigmomanômetro, que nada mais é do que uma cinta larga com um pneumático interno acoplado a uma bomba de insuflação manual e um medidor desta pressão. Ao insuflar a bomba, o pneumático se enche de ar e causa uma pressão no braço do paciente, pressão esta monitorada no medidor. Um estetoscópio é colocado sobre a artéria braquial (que passa na face interna medial do cotovelo). Estando o manguito bem insuflado, a artéria estará colabada pela pressão exercida e não passará sangue na artéria braquial. Não haverá ruído algum ao estetoscópio. Libera-se, então, a saída do ar pela bomba, bem devagar e observando-se a queda da coluna de mercúrio no medidor. Quando a artéria deixa de estar totalmente colabada um pequeno fluxo de sangue inicia sua passagem pela artéria provocando em ruído de esguicho (fluxo turbilhonar). Neste momento anota-se a pressão máxima (sistólica). O ruído persistirá até que o sangue passe livremente pela artéria, sem nenhum tipo de garroteamento (fluxo laminar). Verifica-se no medidor este momento e teremos a pressão mínima (pressão diastólica). Em geral, medimos a pressão em milímetros de mercúrio (mmHg), sendo normal uma pressão diastólica (mínima) entre 60 e 80 mmHg (6 a 8 cmHg) e pressão sistólica entre 110 e 140 mmHg (11 a 14 cmHg) cmHg = centímetros de mercúrio).

O que eu posso sentir quando minha pressão está alta?

A hipertensão arterial é considerada uma doença silenciosa, pois na maioria dos casos não são observados quaisquer sintomas no paciente. Quando estes ocorrem, são vagos e comuns a outras doenças, tais como dor de cabeça, tonturas, cansaço, enjôos, falta de ar e sangramentos nasais. Esta falta de sintomas pode fazer com que o paciente esqueça de tomar o seu medicamento ou até mesmo questione a sua necessidade, o que leva a grande número de complicações.

E se a minha pressão estiver muito alta, meu risco de ter um infarto é maior?

A finalidade de classificação da pressão arterial é determinar grupos de pacientes que tenham características comuns, quer em termos de diagnóstico, de prognóstico ou de tratamento. Esta classificações são embasadas em dados científicos, mas são em certo grau arbitrárias. Quanto mais alta a pressão, maior o risco de ter complicações graves e risco de morte.
Esta e a classificação da Sociedade Brasileira de Cardiologia:

Principais complicações da hipertensão arterial

A hipertensão arterial é um dos fatores envolvidos em uma série de doenças. Entre outras, as doenças abaixo são provocadas, antecipadas ou agravadas pela hipertensão arterial.
Cardíaca – Angina de peito, Infarto Agudo do Miocárdio, Cardiopatia hipertensiva e Insuficiência cardíaca.
Cerebral – Acidente vascular cerebral, Demência vascular.
Renal – Nefropatia hipertensiva e Insuficiência renal.
Ocular – Retinopatia hipertensiva.

Quais são as causas da hipertensão alta:

1- Hipertensão arterial primária. Na grande maioria dos casos a Hipertensão Arterial é considerada essencial, isto é, ela é uma doença por si mesma. Nenhum dos mecanismos que geram a hipertensão é isoladamente muito mais influente que os demais.
2- Hipertensão arterial secundária. Ocorre quando um determinado fator causal predomina sobre os demais, embora os outros possam estar presentes.
A)Hipertensão por nefropatias.
B) Hipertensão renovascular. O fator causal principal é isquemia renal, em geral provocada por estreitamento da artéria renal, unilateral ou bilateral.
C) Hipertensão relacionada a gestação. Situações de hipertensão arterial durante e/ou devido à gestação.
D) Hipertensão medicamentosa. Situações de hipertensão arterial desencadeadas ou exacerbadas por uso de medicamentos (Corticóides, Anti-inflamatórios não esteróides, Drogas de ação sobre o sistema nervoso simpático, Antidepressivos, Anestésicos e Narcóticos)
E) Hipertensão por endocrinopatias. Situações de hipertensão arterial desencadeadas ou pioradas por doenças do sistema endócrino, envolvendo um ou mais hormônios.
I) Acromegalia. Doença causada por produção excessiva de hormônio do crescimento em adultos.
II) Hipertireodismo. Doença causada por excesso de hormônios tireoideanos (T3 – tri-iodotironina e T4 – tiroxina) circulantes.
III) Hipotireodismo. Doença causada por deficiência de hormônios tireoideanos circulante.
IV) Hiperparatiroidismo. Doença causada por excesso de paratormônio circulante.
V) Síndrome de Cushing. Doença causada por excesso de glicocorticóides circulantes
VI) Hiperaldosteronismo primario. Doença causada por produção inapropriadamente elevada de aldosterona pela glândula supra-renal.
VII) Feocromocitoma. Tumor, em geral supra-renal, produtor de catecolaminas.
F) Miscelânea.
I) Apneia do sono - Doença por descontrole dos mecanismos respiratórios do sono, comhipóxia intermitente.
II) Outras causas.

O que posso fazer para prevenir a pressão alta?

A prevenção é o processo de evitar o surgimento de uma situação. Como a pressão arterial tende a aumentar com a idade com as alterações vasculares que acompanham o envelhecimento, pode-se questionar se a hipertensão arterial é prevenível. Mas existem medidas que podem postergar este aumento de pressão. Estas medidas devem ser chamadas de medidas preventivas, mesmo que não impeçam, mas retardem o surgimento da hipertensão arterial. Neste contexto, são medidas preventivas:
• Alimentação saudável.
• Consumo controlado de sódio.
• Consumo controlado de alcool, combate ao alcoolismo.
• Aumento do consumo de alimentos ricos em potássio.
• Combate ao sedentarismo.
• Combate ao tabagismo.
• Controle do peso (peso ideal (IMC entre 20 e 25 kg/m²).
• Em algumas situações específicas, com alto risco de doença cardiovascular, pode ser considerado o uso de medicamentos para a prevenção da Hipertensão arterial.

Como faço para curar minha pressão alta?

Cerca de 10% das causas de hipertensão podem ser eliminadas. São as chamadas hipertensões secundárias a distúrbios hormonais, renais, circulatórios ou associadas ao uso de fármacos. Algumas dessas causas podem ser removidas e a hipertensão é curada. A obesidade também tem sido encarada como uma causa de hipertensão secundária. Muitos hipertensos que conseguem perder peso – com tratamentos dietéticos, clínicos ou cirúrgicos – têm sua hipertensão controlada e muitas vezes eliminada. Mas a grande maioria, 90% dos hipertensos, necessita de uso contínuo de medicamentos.

Além da medicação, o que pode ser feito para melhorar a saúde do hipertenso?

As adequações do estilo de vida são tão importantes quanto o uso de medicações. Embora seja difícil modificar hábitos de vida, uma cuidadosa atenção às recomendações de reduzir o consumo diário de sal na alimentação, abandonar o sedentarismo, realizar atividades físicas programadas, o alcance do peso ideal e a adoção de uma alimentação equilibrada podem operar milagres. Dietas baseadas em maior consumo de vegetais e ricas em potássio, magnésio e cálcio, não difíceis de serem seguidas, podem reduzir significativamente a pressão e atenuar ou eliminar a necessidade de medicamentos.

É seguro fazer exercício quanto se é hipertenso ? Quais os riscos e como evitá-los?

O exercício físico faz parte do tratamento da hipertensão. Os melhores exercícios são os aeróbios, como caminhadas, corridas, ciclismo ou natação. Mas exercícios resistidos, como a musculação e Pilates, também podem trazer benefícios aos hipertensos. O importante, no caso dos hipertensos e cardiopatas, é ter uma orientação médica individual especializada, baseada em exames específicos e na avaliação clínica. A escolha das modalidades esportivas, do ritmo e da intensidade de treinamento devem ser orientados individualmente. Também, atividades leves como jardinagem, dança ou simplesmente o passear pelo “shopping” podem trazer benefícios, principalmente aos idosos e sedentários. O importante é acumular pelo menos 30 minutos de exercícios ao dia.

Os hipertensos podem medir a pressão em casa?

Atualmente, os médicos estimulam os hipertensos a realizar medidas de pressão arterial em casa. A medida da pressão domiciliar é um dado importante para o ajuste terapêutico, uma vez que um grande percentual de indivíduos apresenta uma elevação tensional da pressão no consultório, fato que não ocorre nas automedidas. Os médicos, contudo, devem orientar seus pacientes quanto à técnica de aferição e à escolha de equipamentos automáticos confiáveis quanto à precisão das medidas.

A pessoa hipertensa tem maiores riscos quando se submete a uma cirurgia?

A hipertensão controlada não aumenta o risco de um procedimento cirúrgico. Contudo, muitos hipertensos apresentam disfunções cardíacas, renais, cerebrais e circulatórias, causadas por um passado de hipertensão sem adequado controle, que podem aumentar o risco de uma cirurgia ou em qualquer situação de estresse.

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